PR agradece apoio dos EUA no combate ao terrorismo em Cabo Delgado

Data: 22/09/2023
 
PR na National War Collage.

Washington (Estados Unidos da América), 22 de Setembro de 2023 – O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, agradeceu esta quinta-feira pelo apoio do governo dos Estados Unidos da América aos esforços de Moçambique no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado, no norte do país.

E face aos avanços alcançados fruto deste apoio, o estadista e Comandante-chefe das Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique encorajou que se prosseguisse com esta parceria.

O Presidente agradeceu por este contributo em Washington numa palestra que proferiu no Colégio Nacional de Guerra para partilhar a experiência do país na resolução de conflitos.

Dirigindo-se aos militares e cadetes do The National War College, o Presidente Nyusi começou por fazer uma retrospetiva dos processos para o alcance de paz em Moçambique desde a luta armada de libertação nacional, passando pela guerra civil e os sucessivos acordos de paz entre o Governo e a Renamo, até os desafios do momento à soberania nacional impostos pelo terrorismo e extremismo violento em Cabo Delgado.

E sobre estes processos o Chefe de Estado vincou que Moçambique privilegiou o diálogo como a única arma para ultrapassar estes conflitos, o que ainda não aconteceu com o terrorismo somente porque se trata de uma guerra sem rostos.

Mais uma vez, defendeu o diálogo como a melhor aposta para as nações adoptarem com vista a resolver os mais variados diferendos, condenado o recurso ao armamento bélico, por observar que este causa mortes e destruições e regride os progressos e o desenvolvimento dos povos. Acerca do combate ao terrorismo, o Chefe de Estado informou sobre os avanços registados como resultado do empenho das FDS de Moçambique com o apoio de parceiros, quer no contexto multilateral, quer bilateral. E destacou as muitas baixas do lado do inimigo, o que tem estado a resultar no retorno dos milhares de deslocados internos e que se encontram agora a seguir o seu curso normal de vida.

Além do aspecto humano, o Chefe do Governo falou dos resultados conseguidos na componente infraestrutural, mas mais especificamente sobre o processo de reconstrução e restabelecimento dos serviços sociais que outrora estavam paralisados como consequência dos ataques terroristas nalguns pontos de Cabo Delgado. Nesse esforço, o Chefe de Estado destacou a contribuição das tropas amigas do Ruanda, a nível bilateral, e da Missão Militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SAMIM, acrónimo em inglês).

Informou à plateia que estes resultados são alcançados num contexto de combate ao terrorismo com uma logística militar limitada, tanto do lado das FDS como dos parceiros do Ruanda e da SAMIM.

“Estamos a combater sem meios. Se este país nos puder ajudar, nós agradecemos. Os países que nos ajudam também não têm meios e nós nem os pagamos. Se puderem ajudar, eles também agradecem. Eles precisam de alimentar as tropas, abastecer em combustíveis, viaturas e outras logísticas de apoio ao combate ao terrorismo”, apelou o Presidente.

O Comandante-chefe das FDS moçambicanas proferiu esta palestra em Washington numa altura em que em Moçambique os procedimentos para a materialização da fase de reintegração dos antigos guerrilheiros da Renamo (o principal partido de oposição), a última no contexto do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), encontram-se num estágio avançado. Aliás, este é outro assunto que o Presidente Nyusi fez menção em sua oratória.

Fez saber que a fase inicial do DDR, a de desarmamento e desmobilização dos homens e mulheres residuais da Renamo teve um desfecho de sucesso e num processo que também contou com o apoio dos Estados Unidos da América. E como resultado disso já não existe em Moçambique nenhum partido político armado.

Como uma das últimas abordagens no The National War College, o Chefe de Estado manifestou a disponibilidade de Moçambique para fazer parte dos processos de negociação para a paz e segurança no mundo, independentemente das nações envolvidas, por ser um país que trabalha para ter mais amigos e nenhum inimigo. Como prova disso, indicou que as relações, por exemplo, com os EUA estão a melhorar cada vez mais e agora num nível muito alto, o que se pôde notar com a assinatura, ainda ontem, do Acordo do Compacto II para Moçambique, num financiamento de 500 milhões de dólares na forma de doação para projectos de desenvolvimento na província central da Zambézia.