“Podemos perdoar, mas nunca vamos esquecer”

Data: 19/12/2017

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, disse que a deslocação a Wiriamu não é para chorar os compatriotas que foram barbaramente assassinados ao exigir a liberdade, mas sim para imortalizar os seus feitos, realçando que o povo moçambicano pode perdoar mas nunca irá esquecer.

“O acto de imortalizar o Massacre de Wiriamu através deste modesto monumento que erguemos é um exercício do direito ao respeito pela dignidade humana e que assiste aos nossos mártires que aqui tombaram”, frisou O Chefe do Estado.

Filipe Nyusi falava na cerimónia da passagem dos quarenta e cinco anos do massacre de Wiriamu, em Tete, que se assinalou no dia 16 de Dezembro.

Aliás, foi a 16 de Dezembro de 1972 que, cerca de quatrocentas e cinquenta pessoas, entre homens, mulheres e crianças, foram mortos por soldados do regime fascista português pertencentes à 6.ª Companhia de Comandos estacionados em Tete, acusadas de serem aliadas aos guerrilheiros da FRELIMO.

O estadista moçambicano referiu que os homens e mulheres ali assassinados deram o real significado do sentido de lutar contra a dominação colonial, e o povo moçambicano tem-nos como seus heróis com todo orgulho.

Segundo o Presidente Nyusi, a estadia para homenegear os moçambicanos mortos em no massacre de Wiriamu pretende trazer ao conhecimento de todos a dimensão e a essência da “nossa moçambicanidade e os factores que nos permitam compreender o nosso presente e o custo real da liberdade”, disse.

“É também um exercício para melhor assimilar o nosso apelo à educação e o amor à pátria, a nossa obstinação para o trabalho produtivo, bem como para lutar pela estabilidade social e para o desenvolvimento que todos ansiamos”, acrescentou o Chefe do Estado.

Filipe Nyusi vincou que nunca será admitido que a pátria moçambicana seja alienada por quem quer que seja e exortou aos moçambicanos, particularmente as instituições de ensino, de investigação científica, aos profissionais de comunicação, cineastas, artistas e escritores, a multiplicar os esforços para o resgate e divulgação da história singular.

Afirmou que, volvidos 45 anos depois da chacina, sabe-se que foi o falecido Domingos Ferrão, o primeiro padre negro da Diocese de Tete, que redigiu o relatório para a denúncia do acto.

Explicou que o padre Ferrão recolheu a informação com ajuda de outros missionários estrangeiros das missões de São Pedro de Tete e de Matundo, escreveu mas não teve facilidades para a denúncia porque continuou sob forte vigilância depois da sua prisão pela PIDE/DGS em 1968.

Os companheiros missionários que tiveram acesso ao relatório, sob liderança do padre Adrien Hasting, levaram a dianteira e a 10 de Junho de 1973 o jornal londrino “Times” dava a conhecer ao mundo sobre este tenebroso Massacre de Wiriamu.

A denúncia destes factos pela imprensa internacional, seis meses após o massacre, chamou atenção à comunidade internacional sobre as violações sistemáticas e barbaridades perpetradas pelas forças repressivas do regime colonial português contra o povo moçambicano.

Esta pátria, de acordo com o Presidente da República, deve ser defendida porque custou sacrifício de homens e mulheres honestos e é esse o sentido da comemoração e a homenagem dos mártires de Wiriamu, massacre que ocorreu numa altura em que a guerra de libertação nacional entrava na sua fase decisiva.

“O monumento dos mártires de Wiriamu simboliza outros actos bárbaros contra o povo moçambicano perpetrados pelo regime colonial português em vários pontos do país”, precisou o Presidente Nyusi.

O Presidente da República anunciou, ainda durante a cerimónia, que o local vai ser transformado num museu histórico onde as gerações futuras de moçambicanos e não só deverão frequentar ou visitar para aprender a história de Moçambique.

Acrescentou que brevemente será erguida uma unidade sanitária com maternidade nas proximidades do lugar para a servir a população de Wiriamu, estimada em cerca de 18 mil habitantes.

Wiriamu é um povoado da localidade de Muchenga, no posto administrativo de Chioco, distrito de Changara, e dista cerca de 25 quilómetros da capital provincial de Tete.