MAPUTO, 11 DE DEZEMBRO DE 2025O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reuniu-se  esta quinta-feira com moçambicanos residentes na Itália, num encontro marcado pela apresentação de preocupações e expectativas da diáspora, bem como pela reafirmação do compromisso governamental de reforçar a ligação com os cidadãos no exterior. A sessão integrou a agenda da visita oficial do Chefe do Estado àquele país europeu, dedicada a contactos políticos e económicos de alto nível.

O encontro juntou dezenas de membros da comunidade, num dos momentos considerados mais significativos da deslocação presidencial. A intervenção da diáspora foi conduzida pela representante Sofia Gonori, que começou por agradecer ao Governo pelas medidas recentemente adoptadas para reduzir custos de regularização documental no estrangeiro.

“É um gesto que reconhecemos com grande apreço, pois alivia um peso significativo para muitas famílias na diáspora”, afirmou Gonori, sublinhando que estas mudanças reforçam o vínculo entre o Estado e os cidadãos.

A representante felicitou também o corpo diplomático moçambicano na Itália pelo trabalho desenvolvido na promoção da união e apoio à comunidade, e destacou avanços observados no país, como a expansão da rede eléctrica, a construção de escolas, o reforço do sistema judicial e o aumento das infra-estruturas sociais.

Sofia Gonori apresentou igualmente preocupações que, disse, “merecem ser discutidas com responsabilidade e transparência”. Entre os temas referidos, apontou o desemprego juvenil, a criminalidade, os raptos, a fragilidade do processo democrático e a insegurança em Cabo Delgado, situação que descreveu como “dolorosa e urgente”.

“Desejamos que estas preocupações sejam reconhecidas e integradas no debate nacional. Acreditamos que só através da colaboração, do diálogo e da participação activa de todos os moçambicanos será possível encontrar soluções duradouras”, acrescentou.

Ao intervir, o Presidente Daniel Chapo agradeceu a postura da comunidade. “As vossas preocupações são legítimas e foram todas registadas. Estamos aqui para dialogar, para ouvir e para construir convosco soluções para Moçambique”, afirmou.

O Chefe do Estado referiu-se ao progresso alcançado recentemente, destacando a retirada de Moçambique da lista cinzenta internacional, um passo que, segundo disse, voltou a atrair a confiança dos mercados. “A saída da lista cinzenta abriu de novo as portas dos mercados financeiros e animou os investidores. Todos estão novamente a olhar para Moçambique”, declarou.

O estadista mencionou ainda a retoma dos projectos de gás natural liquefeito que haviam sido suspensos devido ao terrorismo em Cabo Delgado, classificando-os como “sinais claros de estabilidade crescente”.

Quanto à situação na província, afirmou que o país está hoje em melhor posição do que há alguns anos. “As vilas que estiveram ocupadas estão hoje livres. Persistem ataques esporádicos, é verdade, mas o trabalho das nossas Forças de Defesa e Segurança, em coordenação com o Ruanda e a Tanzânia, tem permitido estabilizar a província”, referiu.

No domínio dos serviços públicos, o Presidente da República anunciou reformas destinadas a aproximar o Estado da diáspora, incluindo o reforço dos serviços consulares móveis e a expansão da digitalização governamental, apoiada por um financiamento de cerca de 100 milhões de euros do Plano Matew, do Governo italiano.

“Queremos que o cidadão possa tratar documentos pelo telemóvel, de qualquer parte do mundo. A digitalização vai reduzir a burocracia, combater a corrupção e facilitar o investimento dos nossos irmãos na diáspora”, afirmou.

O governante moçambicano recordou também a criação, pela primeira vez, de um Secretário de Estado especificamente dedicado às Comunidades Moçambicanas na Diáspora, destacando o reforço institucional do acompanhamento desses cidadãos.

Integrado na agenda económica da visita, o Chefe do Estado lembrou os encontros mantidos com o Presidente Sergio Mattarella, com a Primeira-Ministra italiana, Giorgia Meloni, e com a liderança da ENI, empresa envolvida em projectos estratégicos em Moçambique. “Queremos que mais empresas italianas sigam o exemplo da ENI. Precisamos de criar empregos para os jovens, diversificar a economia e impulsionar o desenvolvimento”, afirmou.

No encerramento, dirigiu uma mensagem directa à comunidade: “Moçambique precisa de vós, do vosso talento, da vossa visão e da vossa iniciativa. Investir no país é investir na vossa própria história”, concluiu. O encontro terminou com manifestações de satisfação e esperança por parte da diáspora, que viu as suas preocupações acolhidas na agenda presidencial.

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