MAPUTO, 12 DE MAIO DE 2026 – O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou hoje, em Kampala, que Moçambique pretende reforçar as relações históricas de amizade e cooperação com o Uganda, sublinhando que a experiência ugandesa no combate ao terrorismo poderá contribuir para os esforços moçambicanos de estabilização da província de Cabo Delgado.
As declarações foram feitas durante a conferência de imprensa de balanço da participação do Chefe do Estado moçambicano na cerimónia de investidura do Presidente do Uganda, Yoweri Kaguta Museveni, reeleito nas eleições de 15 de Janeiro de 2026.
Segundo o estadista, a deslocação a Kampala teve como principal objectivo reafirmar os laços históricos existentes entre Moçambique e Uganda, construídos desde os tempos das lutas de libertação africanas.
“A nossa relação com o Uganda é histórica. Como ouviram no discurso do Presidente Yoweri Museveni, os primeiros 80 combatentes da luta de libertação de Uganda foram treinados em Moçambique, incluindo o Presidente Yoweri Museveni”, declarou.
O Presidente da República destacou que o estadista ugandês possui um profundo conhecimento da província de Cabo Delgado, particularmente do distrito de Montepuez, onde recebeu formação militar durante a luta de libertação ugandesa.
“Ele conhece profundamente Montepuez, o centro onde treinou, e também conhece profundamente a província de Cabo Delgado. Até hoje tem muitas palavras em português, consegue conversar em português, dada a vida e o tempo que levou em Moçambique com os nossos combatentes da luta de libertação nacional, portanto, da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO)”, afirmou.
O governante moçambicano considerou que este legado histórico justificou plenamente a presença moçambicana na cerimónia de tomada de posse em Kampala, depois das eleições presidenciais ugandesas. “Dada essa relação histórica, achamos que era extremamente importante marcar a nossa presença na tomada de posse, depois das eleições”, disse.
O Chefe do Estado referiu-se ainda ao facto de, durante o discurso de investidura, Yoweri Museveni ter sublinhado a relevância das relações entre Uganda, Tanzânia e Moçambique, evocando o papel histórico desempenhado pelos países da região nos movimentos de libertação africanos.
“Fez referência que o Uganda praticamente nasceu na Tanzânia e, como vocês sabem muito bem, o berço da liberdade de Moçambique é a Tanzânia. A Frente de Libertação de Moçambique foi constituída a 25 de junho de 1962 em Tanganica, na altura, hoje República Unida da Tanzânia, daí a presença da Presidente Samia [Suluhu Hassan] nesta cerimónia e também a presença do Chefe do Estado moçambicano”, declarou.
O Presidente moçambicano explicou que o reforço da cooperação bilateral visa consolidar as relações políticas e históricas, mas também criar condições para uma maior cooperação económica entre os dois países.
“O objetivo é realmente reforçarmos cada vez mais as relações de amizade e cooperação entre os dois países, sobretudo porque as nossas relações históricas devem ser cada vez mais consolidadas para que o desenvolvimento económico que nós pretendemos, para criar melhores condições de vida para o povo moçambicano, possa realmente consolidar-se cada vez mais com estas relações”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de Moçambique beneficiar da experiência ugandesa no combate ao terrorismo, o Presidente Daniel Chapo reconheceu que o Uganda possui um percurso relevante nesta matéria, particularmente no enfrentamento de grupos armados extremistas no continente africano. “Sim, como sabem, o Uganda tem uma experiência muito grande no combate ao terrorismo e também ouviram no discurso de tomada de posse do Presidente Yoweri Museveni, que ele conhece profundamente a província de Cabo Delgado, foi treinado em Cabo Delgado”, sublinhou, acrescentando que Moçambique considera o Uganda “um país que vale a pena contar com ele, ao nível do continente africano, para o combate ao terrorismo que estamos a enfrentar na província de Cabo Delgado”.