MAPUTO, 08 DE MAIO DE 2026 – No seguimento da sua visita de trabalho à província de Tete, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, anunciou hoje, no distrito de Chiúta, um conjunto de medidas estruturantes para reduzir o impacto da subida dos preços dos combustíveis, com destaque para a entrega de 200 novos autocarros na próxima segunda-feira para a Cidade e Província de Maputo e a aposta no gás nacional, enquanto apelava à vigilância contra boatos que visam desestabilizar a paz social.
A intervenção teve lugar durante um comício popular, no qual o Chefe do Estado reiterou o compromisso com uma governação de proximidade e orientada para as reais preocupações das populações.
“Para nós, governar próximo do povo é sair de Maputo, ir para a província, para o distrito, para o posto administrativo, para a localidade, até à povoação”, afirmou o estadista, defendendo que o contacto directo com os cidadãos permite transformar desafios concretos em prioridades de trabalho para o Executivo.
Abordando a crise energética, o Presidente Chapo voltou a esclareceu que o agravamento dos preços dos combustíveis resulta de factores externos associados aos conflitos no Médio Oriente, tratando-se de um fenómeno global com repercussões em várias economias.
“O assunto do preço dos combustíveis não é só de Moçambique, é um assunto do mundo, tal como era a Covid-19”, explicou, acrescentando que o país conseguiu amortecer parte do impacto graças às reservas estratégicas existentes nos portos nacionais, embora a persistência da guerra imponha novas medidas de contenção.
Como resposta imediata, destacou o reforço da mobilidade urbana através da aquisição de novos autocarros para o transporte público.
“Uma das medidas que nós tomamos foi a aquisição destes machimbombos, que é para podermos subsidiar o combustível e manter o preço dos transportes, para não afectar o bolso do povo”, afirmou, anunciando que, depois da distribuição de 100 unidades para as regiões centro e norte, serão entregues mais 200 autocarros na cidade de Maputo na próxima segunda-feira”.
O plano governamental contempla igualmente uma forte aposta na soberania energética, com destaque para o aproveitamento do gás natural produzido na província de Inhambane.
“Chegou a hora de este gás servir o povo moçambicano”, declarou o Chefe do Estado, anunciando para este ano o lançamento do primeiro projecto de gás veicular no país, bem como a instalação de refinarias em Maputo e na Beira e o reforço da capacidade de armazenamento em Quelimane e Nacala, medidas destinadas a reduzir a dependência externa e aumentar a resiliência nacional perante choques internacionais.
Paralelamente às medidas no sector energético, o estadista voltou a apontar a agricultura como instrumento essencial para proteger as famílias da subida do custo de vida.
Ao explicar que o encarecimento dos alimentos importados está directamente ligado aos custos de transporte, o Presidente da República incentivou o aumento da produção local e o aproveitamento dos quintais urbanos para o cultivo de produtos alimentares.
Com vista a impulsionar a produção e o empreendedorismo local, o Governo anunciou igualmente o reforço do financiamento através do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL).
“Decidimos que este ano vamos duplicar o dinheiro aqui em Chiúta”, revelou, sublinhando, contudo, que os recursos devem ser aplicados em iniciativas sustentáveis, capazes de gerar rendimento, emprego e desenvolvimento económico para as comunidades.
Por conseguinte, o governante voltou a condenar a propagação de boatos relacionados com alegados fenómenos sobrenaturais associados a apertos de mão, classificando tais práticas como tentativas de semear medo e instabilidade social.
“Não existe uma pessoa que se apresentou num hospital a dizer que ‘meu sexo desapareceu ou se atrofiou’”, afirmou, apelando à população para rejeitar a desinformação e concentrar-se no trabalho e na promoção da paz.
No contexto da sua interação com as comunidades, o Chefe do Estado tomou nota das diversas inquietações apresentadas pela população, que centrou as suas reivindicações na necessidade urgente de mais furos de água potável, expansão da rede eléctrica, construção de pontes e melhoria das estradas, além da edificação de um hospital distrital e de uma escola secundária de raiz. A estas preocupações, o Presidente da República respondeu garantindo que as mesmas constituem o pilar da sua agenda governativa: “A nossa tarefa como governo é servir o povo […], e servir o povo é construir mais estradas, mais escolas, mais hospitais, mais livros de graça para as nossas crianças, mais medicamentos, mais água, mais energia”.