MAPUTO, 25 DE JUNHO DE 2025 – O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou esta Quarta-feira, 25 de Junho, que Moçambique percorreu um caminho “feito de coragem, resistência e visão colectiva” desde a proclamação da sua independência, há 50 anos.

Na cerimónia central das celebrações do 50º aniversário da Independência Nacional, realizada no Estádio da Machava, agora designado Estádio da Independência Nacional, o Chefe do Estado destacou os progressos alcançados pelo país em várias áreas e apelou à preservação da unidade nacional como “imperativo” para enfrentar os desafios contemporâneos.

No discurso proferido perante milhares de cidadãos e convidados estrangeiros, o estadista advertiu para os riscos que fenómenos como o extremismo, populismo, racismo e tribalismo representam num mundo globalizado. “Evocaremos sempre o legado de Eduardo Mondlane sobre a importância da unidade nacional, que se torna, cada vez mais, um imperativo na defesa das conquistas da nossa independência nacional”, sublinhou.

O Presidente moçambicano prestou homenagem ao primeiro Chefe de Estado de Moçambique independente, Samora Moisés Machel, destacando o seu papel como “líder carismático, governante exímio e homem de dimensão universal”. “Samora Machel permanecerá sempre […] amado pelo seu povo e admirado por todo o mundo”, disse, saudando a Universidade Eduardo Mondlane pela atribuição póstuma do título de Doutor Honoris Causa ao fundador da Nação.

Recuando aos primeiros anos da independência, o Presidente Daniel Chapo destacou os pilares da edificação do Estado moçambicano, entre os quais a nacionalização de infra-estruturas, campanhas de alfabetização, reformas agrárias, criação do sistema nacional de saúde e educação pública, bem como o início da democracia multipartidária em 1990. “Com a independência nacional, Moçambique iniciou uma nova e desafiante etapa de construção do Estado soberano”, afirmou.

O estadista recordou também a solidariedade activa de Moçambique com os povos da região que enfrentavam o apartheid e outras formas de opressão. “A nossa independência não teria sentido, enquanto povos irmãos […] continuassem a viver oprimidos”, afirmou. Saudou, por isso, a presença de líderes de países como Zimbabwe, África do Sul, Namíbia, Sahara Ocidental, Eswatini e Malawi, bem como de antigos Chefes de Estado e representantes de partidos históricos de libertação africana.

Ao enumerar os ganhos tangíveis da independência, o governante apresentou dados que mostram avanços expressivos, entre os quais a redução do analfabetismo de 93 por cento em 1975 para 38 por cento em 2024, o aumento da esperança de vida de 42 para 61 anos, a expansão de infra-estruturas escolares e sanitárias, o acesso à energia, água e telecomunicações, e o reforço do papel da mulher na vida pública. “Cada um de nós pode testemunhar os progressos visíveis em diversas áreas”, declarou.

Apesar dos avanços, o Presidente da República reconheceu que os desafios persistem. “Precisamos continuar a combater a pobreza, as desigualdades sociais, a fome, construir mais escolas, mais [infra-estruturas de abastecimento de] água, mais hospitais”, apelou, pedindo que o povo moçambicano valorize e se orgulhe das conquistas já alcançadas. “O desenvolvimento não pára”, frisou.

No encerramento do discurso, o Chefe do estado atribuiu os méritos da evolução do país ao trabalho do povo moçambicano, dos seus parceiros internacionais e dos líderes que o antecederam. “Queremos expressar o nosso profundo reconhecimento […] aos Presidentes Eduardo Mondlane, Samora Machel, Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi, pela sua notável contribuição e legado”, afirmou o Chefe do Estado.

O Presidente concluiu reafirmando os ideais de paz, democracia e diálogo como fundamentos de um futuro comum. “Que esta data, 25 de Junho de 2025, seja celebrada não apenas como uma lembrança do passado, mas como um compromisso renovado de trabalho, paz e progresso”, declarou, apelando à união de todos os moçambicanos — do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico e na diáspora — para a construção de um Moçambique mais justo, próspero e reconciliado.

A agenda das celebrações dos 50 anos da Independência Nacional iniciou com a depositação, pelo Presidente da República, de Coroa de Flores no Monumento aos Heróis Moçambicanos, por volta das 8:30 horas, na cidade de Maputo, seguindo-se ao Estádio da Machava, na província de Maputo, o local que há 50 anos o Presidente Samora Machel proclamou a Independência Nacional, e lá decorrer a festa dos 50 anos da independência.

Lá, o Presidente da República procedeu ao descerramento da lápide dos 50 anos da Independência Nacional, recebeu a Chama da Unidade e acendeu a Pira do Estádio da Machava. O estadista dirigiu a cerimónia de galardoação de entidades nacionais, momento que antecedeu o discurso de ocasião por si proferido. Outros momentos marcaram as celebrações da data, como o discurso da Presidente da República Unida da Tanzania, na qualidade de convidada de honra; momentos culturais e desfiles da Banda da Polícia, Banda Militar e da Guarda de Honra.

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