MAPUTO, 30 DE JULHO DE 2025 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, desafiou hoje, em Vilankulo, os administradores distritais a assumirem um papel de liderança activa na transformação socioeconómica do país, com enfoque na criação das bases da independência económica.
Ao discursar na abertura da IX Reunião Nacional dos Administradores Distritais, o Chefe do Estado apelou a uma governação participativa, transparente e orientada para resultados concretos junto das comunidades.
A reunião, que junta os 154 administradores de todos os distritos do país, marca o arranque do novo ciclo de governação 2025–2029. O Presidente Chapo saudou os quadros reconduzidos e os que assumem funções pela primeira vez, enaltecendo o contributo dos administradores na condução das celebrações dos 50 anos da independência nacional, incluindo o “percurso bem-sucedido” da Chama da Unidade por todos os distritos.
“O distrito deve ser o núcleo de liderança local, espaço de inovação e centro de decisões públicas informadas pelas necessidades e potencialidades das comunidades”, disse o governante, destacando a importância de uma governação territorial baseada em dados reais, diálogo permanente com os cidadãos e valorização das vocações locais.
O estadista reforçou que o administrador distrital deve ser o rosto do Estado no território, mobilizando recursos, estabelecendo parcerias com o sector privado, promovendo o agro-negócio, o turismo, a formação técnico-profissional e a industrialização local. “Cada administrador deve ter um plano para o aproveitamento dos recursos naturais do distrito para gerar emprego, principalmente para os jovens”, afirmou.
Para tal, o Chefe do Executivo moçambicano encorajou a apropriação do Programa Nacional de Industrialização (PRONAI), com a criação de parques industriais, transformação local de produtos e revitalização das infra-estruturas existentes. “O administrador tem que ser a pessoa que desbloqueia todas as burocracias que possam emperrar o desenvolvimento dos distritos”, sublinhou.
O Chefe do Estado fez menção ao lançamento oficial, em Vilankulo, do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), aprovado em Março deste ano, como instrumento de financiamento de iniciativas empreendedoras nos distritos e autarquias. “Apelamos a muita seriedade e transparência. Vamos aprender com os erros do passado e melhorar a implementação”, advertiu.
O governante sublinhou que este novo ciclo será de escuta activa, responsabilização e envolvimento comunitário. Os administradores, acrescentou, terão apoio do Governo Central, mas também estarão sob permanente escrutínio local. “Esperamos administradores com ética, visão, humildade, integridade e capacidade de diálogo com todos os actores locais”, afirmou.
O Presidente da República reiterou a importância do diálogo nacional inclusivo ao nível local como ferramenta de consolidação da paz e reconciliação, que deve escutar todos os moçambicanos, “do pescador de Mogincual ao artesão de Marromeu, do professor de Guijá à vendedora do Zimpeto. O distrito deve ser o palco deste processo”, enfatizou. No encerramento do seu discurso, o Chefe do Estado instou os administradores a saírem dos gabinetes e a juntarem-se às populações, ouvindo as suas preocupações no terreno. “Façamos do distrito um verdadeiro pólo de esperança, inovação e progresso. O administrador distrital não é um dirigente de gabinete, mas sim um líder do terreno”, concluiu, antes de declarar oficialmente aberta a 9ª Reunião Nacional dos Administradores Distritais.