"África deve deixar de exportar os seu recursos na sua forma primária"

Data: 25/08/2017

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, afirmou que os países do continente africano devem deixar de depender, exclusivamente, das exportações de recursos naturais ainda na sua forma primária como principal fonte de receitas, pois isso sujeita-os aos múltiplos riscos, decorrentes da volatilidade da economia mundial.

O Chefe do Estado falava na abertura da Reunião Ministerial da Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano (TICAD), um evento de dois dias em curso na cidade de Maputo.

O Presidente instou também aos líderes africanos para adoptarem medidas mais acertadas na exploração dos imensos recursos naturais de que o continente dispõe para que possam promover, efectivamente, o desenvolvimento sócio-económico e bem-estar dos povos.

 “A África não pode continuar a hipotecar o seu crescimento e desenvolvimento económico, e a forma mais eficaz de aproveitar estes recursos é através da promoção de uma produção mais eficaz e adição de valor na estrutura produtiva, bem como da diversificação da economia”, disse o Presidente da República.

Para o Chefe do Estado, no âmbito do TICAD, o sector privado está a desempenhar um papel preponderante no processo de implementação de projectos de investimento que garantam o desenvolvimento tecnológico, incluindo a transferência do know-how.

“Em Moçambique avaliamos positivamente a nossa participação no processo do TICAD através do qual temos vindo a implementar projectos em diversos pilares e áreas de cooperação que têm um impacto significativo nos programas governativos”, disse o estadista.

O Presidente da República citou como exemplo a área de infra-estruturas, particularmente o Corredor de Desenvolvimento de Nacala, que inclui o sistema ferro-portuário e rodoviário que, além de Moçambique, também beneficia directamente o Malawi, Zâmbia, República Democrática do Congo e outros países do interior.

No domínio de energia, o Presidente Nyusi destacou a construção, na cidade de Maputo, de uma central eléctrica a gás de ciclo combinado, com capacidade para a produção de 110 Megawatts para o consumo doméstico e regional. O estadista moçambicano arrolou alguns desafios que o continente africano enfrenta no contexto de uma África renascida, tais como a erradicação das guerras, manutenção da paz, consolidação da democracia e do estado do direito.
“Como africanos, estamos profundamente comprometidos com o projecto do calar das armas até 2020 e com a manutenção da paz, através do diálogo, consolidação da democracia e estado de direito. Estamos também comprometidos com a governação com vista a construir o bem-estar dos nossos povos e desenvolvimento de negócios com os outros povos, principalmente com o Japão”, assegurou.
Apontou como metas ainda por alcançar a necessidade de se potenciar as comunidades, criando um espaço mais comunicativo rumo a um desenvolvimento inclusivo. Esta é a melhor forma de garantir um sistema menos propenso à ocorrência de conflitos e com uma maior estabilidade social e segurança humana.
Enalteceu a participação mais forte do sector privado, como parceiro estratégico dos governos, para o impulso do crescimento e desenvolvimento. “Só assim seremos acutilantes no cumprimento da nossa missão junto dos nossos povos, que é criar condições para o bem-estar de todos”, disse o Presidente da República.