MAPUTO, 07 DE MAIO DE 2026 – O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta quarta-feira, no distrito de Mágoè, província de Tete, o aumento da produção agrícola como principal resposta aos impactos da subida dos preços dos combustíveis, agravados pela guerra no Médio Oriente, afirmando que a produção local é essencial para reduzir o custo de vida e reforçar a segurança alimentar das famílias moçambicanas.
Falando num comício popular realizado após a inauguração do edifício do Tribunal Judicial de Mágoè, no âmbito da iniciativa “Um Distrito, um Edifício Condigno para o Tribunal”, o Chefe do Estado explicou que a actual pressão sobre os preços dos combustíveis resulta da instabilidade internacional nas regiões produtoras de petróleo, situação que afecta o abastecimento global.
“Há escassez de combustível em todo o mundo. Não só em Moçambique”, afirmou o Presidente moçambicano, sublinhando que o país depende da importação de combustíveis, à semelhança de outros países da região, como Zimbabwe, Malawi, Zâmbia e África do Sul.
Segundo o governante, Moçambique conseguiu suportar os primeiros efeitos da crise devido às reservas armazenadas nos portos de Maputo, Beira e Nacala, mas o prolongamento da guerra obrigou ao reajuste dos preços internos para garantir a continuidade do abastecimento. A seguir, alertou ainda para práticas especulativas de retenção de combustível por alguns operadores, à espera de novos preços.
O estadista explicou que o aumento do preço dos combustíveis acaba por influenciar directamente o custo dos produtos alimentares importados, devido aos custos de transporte marítimo e rodoviário. Perante este cenário, defendeu o reforço da produção nacional como forma de diminuir a dependência externa.
“Vamos trabalhar a terra. Vamos aumentar a produção e produtividade para termos comida para nós, termos comida para vender e até termos comida para exportar”, declarou, acrescentando que a produção local permite reduzir os efeitos da inflação sobre o orçamento das famílias.
O Chefe do Estado apelou igualmente ao aproveitamento das pequenas áreas disponíveis nas residências urbanas para produção de hortícolas, criticando a tendência de substituição de quintais produtivos por pavês e outras infra-estruturas que eliminam espaços para cultivo doméstico.
Durante o comício, o Presidente da República reiterou que o Governo continuará a apostar na iniciativa do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), iniciativa de financiamento distrital destinada a apoiar jovens, mulheres e pequenos empreendedores. Segundo anunciou, os fundos do programa serão duplicados em 2026 devido à elevada procura e ao impacto positivo na geração de renda e emprego local.
Na ocasião, a população de Mágoè apresentou uma mensagem de reconhecimento pelas acções do Governo no distrito, destacando a inauguração do Tribunal Judicial local e o apoio concedido ao empreendedorismo feminino e juvenil, incluindo a entrega de equipamentos para impulsionar a actividade pesqueira. A comunidade aproveitou igualmente a oportunidade para solicitar melhorias nas vias de acesso, construção de um hospital distrital e instalação de um banco comercial.
Além das questões económicas, o Presidente da República aproveitou a ocasião para apelar à paz, à união e ao combate à desinformação, condenando rumores sobre alegados desaparecimentos ou atrofias de órgãos genitais associados a contactos físicos. “Não à violência, não ao ódio, não à inveja. Sim à paz, sim à reconciliação, sim à união entre moçambicanos”, concluiu. A inauguração do edifício do Tribunal Judicial do Distrito de Mágoè e o comício popular decorrem no contexto da Visita de Trabalho iniciada hoje à província central de Tete, realizada no quadro da promoção de uma governação participativa, mais próxima das populações e orientada para a melhoria dos serviços públicos.