MAPUTO, 18 DE FEVEREIRO DE 2026 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recebeu esta quarta-feira, em Maputo, as cartas credenciais de sete novos chefes de missões diplomáticas, num movimento estratégico que visa revitalizar a cooperação económica e consolidar parcerias em áreas críticas como gestão de águas, tecnologia e reconstrução pós-calamidades.

A cerimónia, que teve lugar na Presidência da República, marcou a chegada de representantes de diversas regiões geopolíticas: região da África, do Médio Oriente, Ásia e América Latina. Segundo a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, o acto simboliza a abertura do país ao mundo.

Entre os novos diplomatas acreditados figuram Ntsime Victor Jafeta (Lesotho), Júlio César Freire de Morais (Cabo Verde), Sidemhamed Ahmed (República Árabe Saharaui), Leo Vinovezky (Israel), Mahfuzul Haque (Bangladesh), José Javier Augusto Shaw (Peru) e Sara Valdes Bolano (México).

Durante as audiências, o Chefe do Estado incentivou os novos chefes de missões diplomáticas a promoverem uma “cooperação económica mais activa”, elevando as relações bilaterais a novos patamares de desenvolvimento.

No encontro com o Alto Comissário do Lesotho, Ntsime Victor Jafeta, o Presidente Chapo expressou gratidão pelo apoio militar no combate ao terrorismo em Cabo Delgado através da Missão Militar da SADC (SAMIM).

A ministra destacou que, além da segurança, a energia e os recursos hídricos estão na agenda: “Sabemos, também, que o Reino do Lesotho tem potencialidades em relação à água. E, também, Sua Excelência o Presidente viu esta área como um potencial para nós podermos colaborar. Mas, também, o Lesotho também sabe e tem a certeza que Moçambique poderá apoiar na área de energia, sobretudo a electricidade”.

Com Cabo Verde e a República Árabe Saharaui, o foco recaiu sobre a irmandade histórica e a gestão de recursos. Em relação ao arquipélago liderado diplomaticamente por Júlio César Freire de Morais, a ministra notou que “Cabo Verde tem potencialidades na área do turismo, que nós temos muito que aprender; a questão da gestão das águas, porque eles têm muita falta de água e sabem como gerir”. Já com Sidemhamed Ahmed, reiterou-se o interesse em aprofundar os laços com um Estado que Moçambique foi dos primeiros a reconhecer.

A vertente tecnológica e de resiliência climática dominou as conversas com os representantes de Israel e Bangladesh. Sobre Israel, a ministra sublinhou a perícia em “gestão da água” e “gestão da agricultura, usando os poucos recursos que tem”. Relativamente ao Bangladesh, foi enaltecido o apoio recente face às cheias que assolam o país, destacando-se que aquele país asiático detém valioso conhecimento em “gestão de desastres naturais”, microfinanças e indústria têxtil.

A relação com o Peru, representada por José Javier Augusto Shaw, assume um contorno simbólico este mês, com a celebração de 40 anos de relações diplomáticas a 20 de Fevereiro. Maria Manuela Lucas recordou que o país sul-americano celebra o dia 19 de Outubro como o dia das relações África-Peru “em memória ao Presidente Samora Machel”, identificando as áreas mineira e pesqueira como pilares para a cooperação Sul-Sul.

A única mulher no grupo de novos diplomatas, Sara Valdes Bolano, do México, recebeu uma saudação especial. “Sua Excelência o Presidente felicitou a Presidente”, referiu a ministra, aludindo ao facto de o México ter também, pela primeira vez, uma mulher na chefia do Estado. Entre as áreas de interesse com o sector privado mexicano destacam-se a Engenharia Mecânica, Química e as tecnologias de informação. No encerramento da jornada diplomática, o Presidente Daniel Chapo agradeceu a todos os Estados a solidariedade manifestada perante a situação de emergência que Moçambique enfrenta. A ministra concluiu referindo que os embaixadores mostraram total “disposição ou disponibilidade desses países de continuar a apoiar Moçambique na fase posterior, que é a fase da reconstrução”, consolidando o papel da diplomacia como ferramenta de desenvolvimento nacional.

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