MAPUTO, 16 DE JANEIRO DE 2026 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, respondeu ao alerta vermelho na sequência das chuvas intensas com uma intervenção directa nas zonas críticas da Cidade e Província de Maputo, transformando a visita de monitoria num acto de assistência humanitária imediata aos centros de acolhimento provisórios, com a entrega de toneladas de alimentos não perecíveis, com destaque para mais de 200 sacos de arroz.
Além de mobilizar o apoio de parceiros para suprir as necessidades dos centros de acolhimento, o Chefe do Estado estabeleceu uma directiva clara de evacuação preventiva nas bacias hidrográficas sob risco de descarga, priorizando a salvaguarda de vidas e a viabilização de projetos de drenagem estruturantes para as áreas mais fustigadas pelas inundações.
A deslocação presidencial se seguiu à Segunda Sessão Extraordinária do Conselho de Ministros, realizada hoje, onde o Governo decretou o alerta vermelho face ao agravamento das condições meteorológicas. Durante o périplo, o estadista escalou, entre outros, os bairros Nkobe e Liberdade, na província de Maputo, e o bairro de Hulene, na capital, para avaliar pessoalmente os danos em infraestruturas públicas e o grau de sofrimento das comunidades isoladas pelas águas.
Ao chegar ao Centro de Acolhimento instalado no Instituto Industrial e Comercial da Matola, o Chefe do Estado procurou transmitir uma mensagem de proximidade e compreensão perante a crise cíclica que o país atravessa.
“Nós viemos visitar-vos para saber como é que estão acomodados temporariamente aqui. Estamos solidários convosco, Moçambique é assim mesmo quando chegam Janeiro, Fevereiro e Março”, afirmou o estadista.
O Presidente Chapo reconheceu que o cenário de alagamentos, embora recorrente, exige uma postura de constante solidariedade e prontidão por parte do Executivo: “Chove, e quando chove as nossas casas acabam ficando alagadas. Por isso não podíamos ficar indiferentes, passamos por aqui para nos solidarizarmos convosco e também darmos o nosso apoio para esta situação em que nós nos encontramos”.
Como resposta prática às necessidades imediatas, foi formalizada a entrega de bens alimentares para garantir a sobrevivência das famílias nos centros de alojamento. “Achámos que era importante trazer alguma coisa. Queremos fazer esta entrega simbólica. Neste momento a entrega simbólica é de cerca de 200 sacos de arroz para este momento em que as nossas populações aqui se encontram”, detalhou, sublinhando a complexidade de alimentar diariamente os deslocados.
O estadista aproveitou a ocasião para lançar um apelo à responsabilidade colectiva e à cooperação internacional para sustentar as operações de socorro. “Vamos continuar a mobilizar mais recursos, continuar a mobilizar mais parceiros para que possam continuar a apoiar, principalmente em alimentação não perecível. Este é o apelo que temos feito aos nossos parceiros. Queremos fazer esta entrega para dizer que estamos juntos, vamos continuar unidos como moçambicanos”, reiterou.
Um dos pontos mais sensíveis da visita foi o alerta sobre a bacia do Umbeluzi, onde a probabilidade de abertura de comportas pode precipitar novas inundações na província de Maputo. “Queria pedir que façam réplica deste apelo, para que as populações, principalmente dos distritos de Boane e Namaacha, se retirem das zonas baixas, porque a qualquer altura podemos ter cheias idênticas àquelas que aconteceram em 2023, e todo o cuidado é pouco. Se nos podermos retirar das zonas de risco para salvarmos vidas, melhor para nós”, advertiu.
Já no bairro Nkobe, o foco da visita incidiu sobre a extensão regional dos danos e o esforço de escoamento das águas que fustigam o Sul e Centro de Moçambique. “Sabemos que a nossa população de Maputo Província, Maputo Cidade; a zona Sul do nosso país, Gaza e Inhambane, incluindo também a zona Centro, está neste momento a sofrer por causa das águas da chuva, que está a cair intensamente, e isto também está a provocar cheias e inundações”, explicou o governante. Ao encerrar a jornada, o Presidente Daniel Chapo enalteceu o espírito de colaboração entre a população local e as autoridades municipais na abertura de canais de drenagem. “Estamos bastante satisfeitos pela informação que o nosso Presidente do Município da Matola nos deu agora, de que há muita colaboração por parte da população do bairro Nkobe”, destacou, concluindo que o sucesso dos projetos futuros depende desta união: “O nosso município tem projecto para esta zona, mas só vai ser possível fazer esse projecto se nós colaborarmos”.