MAPUTO, 13 DE DEZEMBRO DE 2025 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou hoje que Feliciano Salomão Gundana deixa como herança maior para Moçambique um legado de “coragem, patriotismo, disciplina, integridade, lealdade e amor ao povo moçambicano”, valores que, segundo o Chefe do Estado, devem continuar a orientar as gerações presentes e futuras.

Durante o funeral de Estado do herói nacional, falecido a 9 de Dezembro, vítima de doença, proferido hoje, no Paços do Municipal da Cidade de Maputo, o Presidente Chapo declarou que o desaparecimento físico de Feliciano Gundana não abalou apenas a família, afirmando tratar-se de uma perda para toda a nação moçambicana que o agora finado ajudou a edificar desde a primeira hora.

O estadista moçambicano destacou a trajectória pessoal e política do herói, referindo que foi figura incontornável da história moderna da República de Moçambique, cuja vida foi moldada por “disciplina, humildade, discrição, determinação, honestidade, integridade e de lisura”.

O governante recordou ainda o papel de Gundana na luta de libertação nacional, desde a sua ligação a Filipe Samuel Magaia e a fundação da União Democrática Nacional de Moçambique (UDENAMO), em 1960, até à criação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), em 1962, em Dar es Salaam (Tanzania), bem como a sua integração no primeiro grupo de guerrilheiros da Frente que recebeu formação militar na Argélia, em 1963.

No elogio fúnebre, o Presidente da República realçou igualmente a contribuição do herói nacional na edificação do Estado independente, sublinhando que, após a independência, Gundana assumiu missões estruturantes em zonas libertadas, onde liderou, entre outros feitos, a histórica marcha para Nangade, símbolo de resistência, mobilização popular e afirmação da soberania nacional.

O estadista salientou que o compromisso de Feliciano Gundana com Moçambique “não foi um gesto pontual e aleatório”, mas sim “um compromisso e propósito de toda a sua vida inteira até o último dia de sua vida”, tendo defendido com firmeza a visão de Eduardo Mondlane sobre a unidade nacional, a luta de libertação e a construção do Estado pós-colonial.

No plano institucional, o Presidente da República destacou o exercício de altas responsabilidades no Estado, incluindo funções como governador em várias províncias, Chefe dos Serviços de Inteligência Militar, Ministro para os Assuntos dos Antigos Combatentes e deputado, sublinhando que em todas elas se distinguiu pela “serenidade, seriedade, firmeza, disciplina, integridade, lisura e enorme capacidade de liderança”.

No reconhecimento do seu percurso, o Chefe do Estado lembrou as distinções atribuídas a Feliciano Gundana, incluindo o título de Herói Nacional, conferido em 2015, e o Doutor Honoris Causa atribuído, em 2024, pela Universidade Zambeze, afirmando que “falar de Feliciano Salomão Gundana é exaltar as mais elevadas qualidades de um patriota”.

Após as exéquias no Paços do Conselho Municipal de Maputo, o Presidente da República deslocou-se ao Monumento aos Heróis Moçambicanos, onde recebeu a urna do malogrado, que jaze na cripta. O Governo determinou a realização de Funeral de Estado e decretou Luto Nacional por sete dias, de 12 a 18 de Dezembro de 2025, período durante o qual a Bandeira Nacional e o Pavilhão Presidencial serão içados a meia-haste em todo o território nacional e nas missões diplomáticas e consulares de Moçambique.

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