MAPUTO, 11 DE DEZEMBRO DE 2025 – No ano em que Moçambique e Itália assinalam meio século de relações diplomáticas, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, facilitou a mesa-redonda entre os dois países, um encontro que deu nova profundidade à parceria económica entre os dois países.

A sala reuniu dezenas de empresas italianas e moçambicanas, representantes governamentais e instituições de cooperação. Para além do simbolismo histórico, o encontro afirmou uma ambição comum: transformar oportunidades em indústria, conhecimento e emprego, num quadro de confiança renovada.

Na sua intervenção no evento desta quinta-feira, o Chefe do Estado sublinhou que Moçambique está a consolidar um novo ciclo de Independência Económica, alicerçado em três pilares: industrialização e cadeias de valor; infra-estruturas económicas e sociais; e capacitação do capital humano.

O Presidente Chapo destacou ainda as reformas que tornam o Moçambique mais competitivo e previsível para o investimento privado: a redução do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), os incentivos fiscais à agricultura, a isenção de vistos para 29 países e a simplificação de procedimentos administrativos.

“Moçambique está aberto ao investimento, está a modernizar-se e está comprometido com o crescimento inclusivo. Não queremos investidores temporários: queremos parceiros permanentes”, disse.

No seu apelo final, o Presidente Daniel Chapo dirigiu-se diretamente às empresas italianas, encorajando-os a investir em Moçambique, expandir as suas empresas e construir com o país um futuro de prosperidade partilhada.

A representante da Confederação Geral da Indústria Italian (Confindustria), Bárbara Cimmino, realçou que os sectores estratégicos identificados pelo Presidente Chapo coincidem com áreas de excelência da indústria italiana.

A empresária sublinhou a importância da transição energética, não apenas no petróleo e gás, mas numa transição digital, tecnológica e ecológica, que redefine a indústria moderna.

“Costumo falar de uma tripla transição: energética, ecológica e digital. Um país que pretende desenvolver a sua capacidade manufatureira deve integrar plenamente a componente digital,” destacou.

Além disso, destacou, igualmente, o potencial de cooperação nos sectores de agro-indústria, infra-estruturas, logística, turismo e têxtil. Reforçou ainda a disponibilidade da Confindustria para mobilizar assistência técnica, reduzir barreiras e apoiar a entrada de pequenas e médias empresas italianas em Moçambique.

No seu discurso, o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional da Itália, Giorgio Silli, afirmou que a numerosa delegação empresarial presente demonstra a prioridade estratégica que Moçambique ocupa na política externa italiana.

Giorgio Silli recordou que o novo Acordo-Quadro de Cooperação está em fase final de aprovação, abrindo portas a programas conjuntos nos setores energético, industrial, agrícola e educacional.

“Esta mesa-redonda não é apenas um compromisso institucional, é uma oportunidade para ideias e projectos capazes de construir, juntos, novas trajectórias de desenvolvimento”. O governante italiano sublinhou o crescimento do comércio bilateral, que, segundo ele, nos primeiros oito meses de 2025 ultrapassou 424 milhões de euros (mais de 20 por cento de aumento), e investimentos diretos superiores a 200 milhões de euros.

Entre os compromissos anunciados destacam-se 100 milhões de euros do Fundo Italiano para o Clima, em co-financiamento com o Banco Mundial; a integração de Moçambique na iniciativa Energy for Growth in Africa, lançada pelo G7; parcerias estratégicas em infra-estruturas, urbanização de Maputo e grandes ligações regionais; o reforço da cooperação em segurança marítima, defesa e vigilância, com apoio da Marinha Militar Italiana, Leonardo e Fincantieri; e a expansão das parcerias agrícolas e digitais, com ênfase em agricultura de precisão, geoinformação e sistemas inteligentes de monitorização. A Mesa-Redonda terminou com a reafirmação de que Moçambique e Itália estão prontos para aprofundar uma cooperação ancorada na “confiança, complementaridade e visão de longo prazo”. Com reformas internas consistentes, dinamismo empresarial crescente e diplomacia económica ativa, Moçambique e Itália projectam um futuro de cooperação sólida, inovadora e duradoura.

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