MAPUTO, 06 DE OUTUBRO DE 2025 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu esta segunda-feira, em Maputo, a necessidade de reforçar a acção conjunta entre o Estado, as confissões religiosas e as famílias na reconstrução dos valores ético-morais e espirituais, como base para a paz e o desenvolvimento de Moçambique.

O Chefe do Estado falava no encerramento da sua participação na 8.ª Conferência Nacional Religiosa, que decorre sob o lema “Moçambique Primeiro – Cada Moçambicano Mensageiro de Transformação, Reconciliação e Paz”, e que reúne líderes de diferentes confissões para reflectir sobre o papel das religiões na consolidação da unidade nacional e no combate aos males sociais que afectam o país.

Nos seus comentários finais, o Presidente Chapo classificou o encontro como “uma Conferência abençoada”, destacando a importância de transformar o debate em acção concreta.

“Não há paz sem ética, sem moral, sem justiça. Portanto, são valores importantes que nós achamos que é necessário falarmos como falámos hoje. Mas não basta falar. É preciso partirmos para a acção. É a acção que vai mudar a situação”, afirmou o Chefe do Estado, ao referir-se à necessidade de todos contribuírem para o resgate dos princípios que sustentam a convivência e a harmonia social.

A segunda parte da conferência foi marcada pela realização de três painéis temáticos. O primeiro debateu o “Roteiro para a Reconciliação e Unidade Nacional – Perspectiva Religiosa e Social”; o segundo abordou os “Limites do Exercício da Liberdade Religiosa em Moçambique – Perspectiva Social e Legal”; e o último destacou a “Contribuição das Confissões Religiosas no Processo do Diálogo Nacional Inclusivo”, com enfoque no papel da mulher e da juventude na promoção da fé, da moral e da reconciliação.

Comentando as propostas apresentadas, o Presidente da República destacou a pertinência da criação de comissões de controlo doutrinário nas igrejas, como forma de garantir autenticidade e responsabilidade espiritual.

“Nós sentimos, estatisticamente, que todos os dias nascem igrejas. Mas o nível de criminalidade, o nível de consumo de drogas, o nível de consumo de álcool, o nível do mal, está a aumentar. Então a pergunta é: qual é o nosso papel, nós e as confissões religiosas, para combater este mal?”, questionou, apelando à união entre Estado, igrejas e famílias no combate aos comportamentos que degradam a sociedade.

O Chefe do Estado alertou também para o risco de a formação moral ser deixada exclusivamente às instituições religiosas e governamentais. “Se a família deixar o papel da educação dos nossos filhos apenas para a religião e para o governo, vai ser difícil. O governo vai fazer a sua parte. Os líderes religiosos vão fazer a sua parte. Mas eu, como pai e mãe em casa, tenho que desempenhar também o meu papel”, sublinhou.

Outro ponto de destaque foi a reafirmação da liberdade religiosa como um valor essencial da laicidade do Estado moçambicano. “Há uma separação entre o Estado e a religião. Mas não quer dizer que cada um de nós aqui dentro não crê em Deus, em Allah, em Jeová, em Yahweh ou qualquer nome que seja. Temos esta liberdade”, explicou, reiterando que em Moçambique ninguém é obrigado a professar uma determinada fé.

Durante os debates, alguns líderes religiosos sugeriram que o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) pudesse ser alocado também às confissões religiosas. O governante lembrou que o fundo foi concebido para apoiar iniciativas económicas individuais e não instituições sem fins lucrativos. No fim da sua intervenção, o Presidente da República apelou à coesão social e à prática do amor como valor universal. “Precisamos continuar a trabalhar juntos para ensinarmos o povo a ter a palavra de Deus como guia, como bússola para a vida. No dia em que tivermos a palavra de Deus como guia, as drogas, o álcool e todas as imundícies vão desaparecer. Temos que combater o discurso do ódio e promover o amor entre irmãos, porque a palavra de Deus diz: amai-vos uns aos outros”, concluiu, reforçando o compromisso do Estado em trabalhar lado a lado com as religiões pela paz e reconciliação em Moçambique.

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