MAPUTO, 02 DE OUTUBRO DE 2025 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, manteve esta quinta-feira, em Maputo, um encontro de trabalho com o Director Executivo (CEO) da multinacional petrolífera italiana ENI, Claudio Descalzi, no âmbito da assinatura da resolução da Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês) do Projecto Coral Norte FLNG. O líder da ENI considerou o momento “muito importante e crítico”, sublinhando o impacto do novo empreendimento para a economia moçambicana, o emprego e o desenvolvimento social.
“Permitam-me dizer que eu e a minha equipa estamos muito felizes por estar aqui hoje. Foi um encontro muito positivo”, declarou Claudio Descalzi, ao fazer o balanço da reunião com o Chefe do Estado.
O CEO da petrolífera destacou que o Coral Norte FLNG, que o descreveu como “o grande projecto” e que vem depois do Coral Sul, permitirá aumentar para 39 mil milhões de dólares norte-americanos a receita estimada para a vida útil dos dois empreendimentos. “Então, esse foi um dos principais temas que discutimos em termos de impacto positivo para a população, sobretudo em termos de rendimentos para o País”, referiu.
Entre os avanços registados, Descalzi destacou o aumento substancial do investimento no conteúdo local, que passa de 800 milhões para três mil milhões de dólares, além da duplicação dos postos de trabalho. “E também duplicámos o emprego. Então, são todas boas notícias”, afirmou, enfatizando a relevância da criação de oportunidades para os jovens moçambicanos.
O responsável da ENI revelou ainda que a agricultura foi outro dos pontos centrais da conversa com o Presidente Chapo. “Claramente, Moçambique precisa de pessoas com habilidades, grandes engenheiros especialistas, geólogos, para desenvolver o gás e outros recursos minerais, mas o País precisa também de emprego em grande escala para os jovens, acima de tudo. E o emprego massivo pode chegar, com relativa facilidade, através da agricultura”, disse.
Nesse quadro, reafirmou o compromisso da ENI em investir em programas agrícolas que poderão criar cerca de 100 mil novos empregos no país.
“O Presidente colocou um foco muito importante nisso: treinamentos para pessoas jovens, agricultura em termos de novos empregos e também novos trabalhos para os agricultores existentes”, reforçou o CEO, acrescentando que a iniciativa da empresa em Moçambique segue a mesma linha de projectos agrícolas desenvolvidos pela multinacional em outros países africanos.
Outro sector abordado durante o encontro foi o da energia eléctrica. “Nós encontrámos um acordo para desenvolver uma central eléctrica de 75 megawatts. E isso foi feito. Então, nós temos muitos projectos, muitas iniciativas. E eu tenho que dizer que estamos a trabalhar muito bem. Nossas equipas estão a caminhar muito bem juntas”, sublinhou.
Claudio Descalzi destacou ainda a relação de confiança e cooperação estabelecida com as instituições moçambicanas, considerando que esta é a chave para o sucesso dos investimentos.
“Quando você investe oito biliões para o primeiro projecto, oito biliões para o segundo projecto, então um total de entre 15 e 16 biliões em um país, você tem que confiar nesse país, você tem que acreditar no país, você tem que acreditar nas suas pessoas, e não apenas na minha equipa como tal, mas, igualmente, na sua capacidade para criar uma boa relação com a equipa do governo, com o ministro do sector, com toda a administração. De contrário, arriscas, como empresa, perder o seu dinheiro, perder o seu tempo, incluindo perder os recursos do país”. O CEO concluiu a sua intervenção manifestando satisfação com o ambiente de trabalho em Moçambique e com as boas relações entre aquela empresa e o Governo de Moçambique, realçando que a aprovação da FID do Coral Norte representa não apenas uma expansão dos investimentos da ENI em Moçambique, mas também uma nova fase de oportunidades económicas e sociais para os próprios moçambicanos.